É a primeira vez que escrevo no blog em português... pela simples razão que é para portugueses, principalmente para os que dizem ser cristãos... tudo começa no blog do Junior, um irmão de Faro que descreve uma situação de "evangelismo" de um cristão "evangélico" a tentar convencer outro cristão "católico" a mudar de "igreja" por estar "errada"... Isto reflecte a triste realidade das "Igrejas" em Portugal e um confronto entre perspectivas diferentes... é simplesmente uma conversa de irmãos e irmãs sobre algo que por vezes fica nas entrelinhas...ou se quiserem, no dito pelo não dito... por isso, vou dizer o que penso...em Amor, honestidade e liberdade...
foi isto que respondi entre uma quantidade de comentários e opiniões que já desenrolava o assunto:
Primeiro, não percebi ainda qual é o problema dos “evangélicos” com os padres ou a "Igreja" católica...sei que esse é um problema no meio “evangélico” e também confesso que cresci com um certo desdém em relação à Igreja Católica e aos padres que a meu ver não davam um bom exemplo como seguidores de Cristo (na minha realidade ao crescer e ser educada numa cultura maioritariamente católica)... Devo reconhecer que até criou em mim uma resistência a Cristo e à sua mensagem, e hoje, depois de conhecer outras "Igrejas", protestantes e evangélicas, vejo que também estas criam a mesma resistência em muitas pessoas… É irónico, não acham?! Vejo essa resistência em mim também, já que, ao desenvolver o meu próprio relacionamento com Deus e meditação nas Escrituras, há muitas coisas, principalmente certas teologias que não consigo concordar…
Talvez pelo facto de tanto umas como outras “Igrejas” apontarem as pessoas a seguirem as suas doutrinas, em vez de apontarem para Deus ou os ensinamentos de Jesus, a quem dizem seguir... Talvez por se acharem perfeitos(as) e não reconhecerem que também eles(as) próprios(as) falham e precisam da misericórdia e graça de Deus.
Neste momento congrego com alguma regularidade numa paróquia da aldeia mais próxima de onde vivo, a Póvoa de Atalaia… Intitulam-se "Católicos romanos" e respeito, ainda que haja certas coisas que não concordo nem professo ( a submissão a uma hierarquia papal e patriarcal por exemplo)...
Esta é a expressão da Igreja aqui mais próxima, e como nova residente e, de certa forma, estrangeira, quero respeitar as tradições e costumes locais…
Comecei a "ir à missa" porque Deus me falou para ir e também conhecer o padre local. Acho que foi uma boa ideia pois é uma boa maneira de me envolver na comunidade em que me insiro, para além de ouvir boas mensagens e orações... A congregação parece-me bastante genuína em geral... dei-me muito bem com o padre que cá estava quando cheguei, mas agora está outro em quem ainda não encontrei grande afinidade... Assim também se vê que dentro de cada religião ou denominação, há líderes com quem vamos ter mais afinidade do que outros...
Não vejo grande diferença, digo já, entre a “missa” católica e um "culto" protestante ou evangélico… A menos que o que esteja em causa seja o estilo de música e cantos ou a ordem e forma dos rituais prestados ... Se eu fosse à procura de um "estilo" estava bem tramada, pois nunca encontrei uma “Igreja” com o meu estilo... Talvez os "Jesus Freaks" na Alemanha, ou a "Caverna de Adulão" em São Paulo, mas não são locais para mim (ponho a palavra Igreja entre aspas quando se trata de igrejas locais ou denominações, pois estou a usar o termo como geralmente é usado para uma congregação local...para mim a Igreja vai muito além de denominações ou até religiões... mas isso daria para mais outra longa conversa e não é esta)
Também não estou aqui a escrever para julgar ninguém... acho que muita gente pensa como pensa, ou acredita no que acredita porque assim lhe foi ensinado...por isso, se isto servir de alguma coisa, que sirva para nos questionar (coisa que poucos foram ensinados)
Para deixar claro, os "católicos" também seguem a Cristo, como os protestantes e evangélicos e outras mil e uma denominações que possam existir…e quem somos nós para julgar o coração dos outros ? Eu própria já aprendi essa lição quando entrei numa "Igreja católica" com a intenção de julgar e senti Deus a falar "Eu vejo os corações"... Desde aí acho que nunca mais julguei ninguém que sinceramente busca a Deus, seja de que forma for...
Deus vê os corações...
Sei quais são as faltas apontadas à "Igreja Católica" pelos protestantes e evangélicos, mas e estes, serão perfeitos? Haverá “Igreja” perfeita na terra? Pergunto eu? Creio que não irmã(os)... Se falamos de "Igrejas" como instituições, denominações ou religiões, então não há uma que não seja meramente humana... podemos apontar erros e falhas em cada uma...quer no presente, quer no passado...Mas vamos ter cuidado ao julgar aqueles que pertencem a essas organizações humanas... seria o mesmo que dizer que o SLBenfica é melhor que o FCPorto...ou que os portistas são melhores que os benfiquistas... Não terão as "Igrejas" se tornado meros "clubes" a que as pessoas pertencem, em quem se identificam, onde se sentem bem, onde sentem que pertencem, onde recebem algo de bom?!! É uma questão...
Se fossemos um pouco menos orgulhosos e presunçosos, se calhar poderíamos complementar-nos nas falhas de cada um e aprendermos com os dons e qualidades de uns e de outros (como indivíduos e como grupos)... Não estou a condenar uma ou outra expressão de "Igreja", pelo contrário, acho que devemos cada vez mais respeitar e apreciar as diferenças de cada um...
Reparando bem no que o Júnior escreveu não vejo propriamente aquele senhor de meia idade a compartilhar a "boa nova de Jesus", mas apenas perguntou àquela jovem se ela já foi a uma "Igreja evangélica"… infelizmente é isso que é ensinado em muitas Igrejas, a levar as pessoas a congregar nesta ou naquela (de preferência a nossa, para ter mais membros e poder dizer a outros o quanto o nosso “ministério” é um sucesso)…
quanto a "ministérios de evangelismo", o alvo final é sempre encaminhar as pessoas que "aceitam Jesus" a congregar numa "Igreja local" (desculpem aqueles que não estão a perceber nada destas palavras, mas é assim que se fala entre "cristãos", por isso uso aspas tantas vezes)...
não quero também julgar esse senhor, provavelmente disse o que disse com a melhor das intenções, e, se calhar, foi tudo o que lhe têm ensinado que deve fazer como um “bom cristão evangélico"… provavelmente, e infelizmente também, deve-lhe ter sido ensinado que a "Igreja católica" não segue a Jesus "como deve ser", e que por isso não é realmente "Igreja" como a Evangélica ... o mesmo pensam alguns "católicos" e por aí adiante...estão a ver que rico exemplo damos a quem não está a perceber nada desta conversa?…
Já nem vou falar em Universalidade e aceitação de outras religiões e caminhos como válidos e provavelmente necessários nesta nossa imensa diversidade humana... (outra longa conversa para outro artigo)
Irmã(o)s, temos que parar com este tipo de julgamentos… Jesus orou para que fossemos um, nas poucas orações que foram registradas nos Evangelhos…e o que nós fazemos? Andamos à batatada uns com os outros, “porque a minha Igreja é melhor do que as outras”, “porque nós é que temos a Verdade”, etc… ou até boas razões como “ porque nós temos mais ministérios de misericórdia”,“porque nós fazemos mais missões”, “porque nós oramos mais” (bem, disso poucos se devem gloriar tendo em conta a participação em reuniões de oração que eu presenciei...sim, pois infelizmente a vida de oração foi reduzida, para muitos, a breves e pequenas reuniões dos mais idosos ou tímidos )
Cuidado irmã(o)s com as nossas palavras, pois seremos julgados na mesma medida que julgarmos os outros…
Eu mesma já “evangelizei” (compartilhei intencionalmente a minha opinião e relação com Jesus e ouvi as histórias das pessoas que conheci) quando servia a Deus na "Jocum", uma ONG cristã que, entre outros serviços, também apoia o trabalho das "Igrejas locais"...
A forma que fui ensinada, parecia que tinha que convencer os outros das minhas convicções e isso sempre me deixou perturbada…Sempre me deu gosto partilhar os ensinos de Jesus, pois eram esses que permeavam a minha vida a cada dia, mas convencer os outros para seguir os mesmos ensinos, nunca me fez sentido… O que mais me custou e pesou no meu coração, foi o que responder quando as pessoas me perguntavam: " E a que Igreja é que vais?" Para já, eu própria nunca fui, nem sinto ser "membro" de nenhuma "igreja local"... Também não ia indicar "Igrejas locais" que desconheço, ainda que por vezes tinha que o fazer pois estava a serviço de uma dessas "Igrejas locais" que pediu os serviços da Jocum, onde servia como voluntária ...
Até Jesus me fez esta pergunta um dia, quando orava por amigos meus : “e agora, e se todos esses amigos me quisessem seguir, para onde os encaminharias?”... É claro que Jesus não estava a falar de nenhuma "igreja local" em particular , mas sim a levantar uma questão maior... onde estão as comunidades cristãs capazes de abraçar e guiar os "diferentes", os "rejeitados pela sociedade", os "alternativos" e os que não se encaixam em instituições, os ditos “pecadores”, os “viciados”, os que buscam a Deus tal como estão, sem se sentirem julgados ou rejeitados ?
Eu não conseguia imaginar nenhuma das pessoas por quem orava a sequer entrar em nenhuma das "Igrejas" que conheci. ( já disse exactamente isto numa das maiores congregações evangélicas em Lisboa na altura quando me convidaram a falar dos quartos de oração que organizava)
Haverá necessidade de outras expressões de Igreja? Mais inclusivas e universais? Acho que sim…
Antes de continuar quero deixar algo bem claro : conheço muito boa gente que faz parte dessas "Igrejas" e muitas pessoas até iam gostar de conhecer os meus amigos e vice-versa... Não quero de modo algum ofender as pessoas que se identificam e sentem bem em "Igrejas locais"... estou mais a falar da "Igreja" como organização e instituição, ou de ideias que essas organizações defendem a que os seus membros se sentem obrigados a seguir e imitar... As doutrinas rígidas e maus ensinos são muitas vezes aquilo que deve ser mudado, mas que poucos se atrevem a questionar. A verdade é que a maioria das “Igrejas” hoje, fecha mais portas do que abre àqueles que procuram uma direcção espiritual…
Voltando ao que já disse, o que mais me entristecia quando falava de Jesus a desconhecidos ou amigos era quando eles me perguntavam a que "Igreja" eu ia, ou se sabia de alguma "Igreja" por ali para eles conhecerem...e na verdade, eu não conseguia indicar uma que eu soubesse que essa pessoa seria bem recebida e acompanhada... Nunca fui “membro” de nenhuma "Igreja" pois servi na Jocum por 7 anos, até que me juntei a um grupo de amigos para desconstruir o que é "ser" Igreja em vez de "ir" à Igreja…
Não quero ser eu a presunçosa agora, nem a julgar, mas a verdade é que cheguei a levar algumas dessas pessoas a "Igrejas", e arrependi-me... Essas pessoas eram geralmente “diferentes”, em geral pobres, alguns com os seus vícios e, segundo a opinião de alguns líderes dessas "Igrejas", estavam “mal vestidos”... Um dos líderes até me disse directamente: -“se ao menos eles tomassem banho!”, ao que fiquei sem palavras por momentos de tão chocada... até que acrescentei : "- Pois, David devia cheirar muito bem quando foi encontrado com as suas ovelhas no monte, antes de ser ungido Rei de Israel ... ou Jesus quando nasceu numa manjedoura"...
As pessoas que levei a uma igreja local eram punks ou pessoas da rua que são as que me atraem mais para ouvir... Quando essas pessoas entravam numa "Igreja" (na minha experiência), eram olhadas de cima a baixo... a mensagem e toda a linguagem usada no ritual não faziam sentido nenhum para aquela pessoa...até eu me sentia mal por ter levado essas pessoas a uma comunidade que deveria ter sido acima de tudo acolhedora... ficava até envergonhada de dizer que faço parte desta família que se chama "Igreja"...
( isto aconteceu nos primeiros anos da minha caminhada com Cristo, e eu era completamente ignorante em relação a diferentes denominações e o que umas aceitam e outras não… eu aprendi os ensinamentos de Jesus com Angolanos e Brasileiros em Angola, durante tempos difíceis de uma guerra civil que já durava há 24 anos… só para realçar outra grande diferença que é o cristianismo em África e na Europa)
Já nem vou falar das vezes que eu mesma entrei em “Igrejas” em que me tentaram "evangelizar", pois para certos “crentes” , eu não tenho a aparência do que é ser cristã...e na altura nem tinha as tatuagens nem todos os piercings que tenho hoje, mas era simplesmente diferente do “normal" e "aceitável"... para mim era lamentável, mas aprendi muito... e sei que muitos aprenderam a julgar menos pelas aparências, pois vieram ter comigo para o dizerem…
Também me aconteceu uma vez ser chamada a atenção (não a mim, mas à minha liderança na Jocum) sobre a maneira como me vesti quando fui traduzir um grupo da Holanda a uma “Igreja”... a verdade é que só tinha as minhas calças de couro, pois interrompi o meu "interrail" quando fui visitar os meus líderes de Angola que visitavam a comunidade da Jocum em Lisboa, e foi-me pedido ficar por um mês a traduzir esse grupo...
Isto é triste !!! Quando será que um mendigo da rua terá lugar para falar em algum púlpito ?! É uma questão... ou será que quando somos cristãos não podemos ser pobres ?! Já nem falo de estilo de roupa...
Tudo isto me entristece... Tudo isto ainda é uma realidade em muitas “Igrejas”...
Creio cada vez mais que nós não somos chamados a levar pessoas à “Igreja”... Jesus é que vem ao nosso caminho, e sim, há outras pessoas que Jesus quer chamar... a “Igreja” deveria ser para discipular os que já foram chamados, ou seja, para todos os que quiserem, aprender os ensinos de Jesus...
O nosso exemplo de vida poderá levar alguns a querer conhecer Jesus...não temos que ser uns santinhos, mas acima de tudo honestos e transparentes... O mais importante é o que Deus tem feito na nossa vida e não a nossa "perfeição"...
O chamado para fazer parte desta família universal que é a Igreja, ou a Assembléia dos filhos da Luz, não é a nós que cabe... A nós cabe sermos genuínos.
Se alguém tiver interesse em conhecer mais dos ensinos de Jesus, então poderemos indicar alguma comunidade, mas sinceramente, para mim não é fácil, principalmente quando são pessoas que eu sei que infelizmente vão ser julgadas e talvez rejeitadas pela maioria das "Igrejas locais"
Nos últimos tempos até já podemos ver alguns índices de mudança e esperança dentro da “Igreja Protestante” ou "evangélica", à medida que várias denominações começam a quebrar as divisões ridículas que existem entre uns e outros… Mas isso não é o suficiente… enquanto não abraçarmos (e creio que muito perdão terá de ser praticado de ambas as partes) os nossos irmãos e irmãs "católicos" (principalmente em Portugal pois noutros países já não se nota tanto esta separação), "protestantes" e outras variantes que por aí há no mundo inteiro…
Separarmo-nos e criarmos o nosso próprio mundinho não seria a solução de Jesus... mas parece que ainda não sabemos viver e aceitar as nossas diferenças, mesmo dentro da mesma "religião"...
“Sejam um, como eu e o Pai somos um”, “Amem-se uns aos outros para que o mundo saiba que são de facto meus seguidores”… São estas as palavras de Jesus aos seus discípulos…
E ao escrever tudo isto, quero salientar que escrevo em Amor…pois amo a Igreja, o Corpo de Cristo na terra, para sermos as mãos e a voz do Deus de Amor, de todas as tribos, raças, línguas e nações...e entristece-me bastante muitas coisas que vejo e ouço… Não suporto fundamentalismos, sejam "evangélicos", "católicos" ou outra qualquer religião... Pois como também acredito, a religião não salva ninguém deste mundo de opressores...
Jesus teve o seu papel em benefício de toda a humanidade : Ele destruiu o mal e a morte ao dar a sua vida sem usar de violência ou qualquer outro mal... A ressurreição e o Espírito que em nós habita e nos capacita a relacionarmo-nos com o Divino, prova, para mim, que Jesus realmente conquistou essa vitória para todo o ser humano...
Mas cada um pode acreditar ou não neste facto, pode escolher seguir os ensinamentos de Cristo nesta vida ou de qualquer outro mestre... Deus guia a cada um da forma que faz sentido a cada um... e muitas vezes o maior impedimento das pessoas quererem conhecer mais o caminho de Jesus, são os próprios cristãos. (Mahatma Gandhi disse o mesmo)
Estamos todos no fundo na mesma caminhada... Sejamos cristãos, judeus, muçulmanos, ateus, budistas, etc...todo o ser humano está a ser chamado pelo Grande Deus Vivo, para quem nada é impossível, mesmo a vitória sobre o mal e a morte...
Não me considero perfeita, nem pouco mais ou menos…mas ao reconhecer as minhas imperfeições, as minhas falhas e fraquezas, a minha pequenez, Deus tem me ensinado a não julgar os outros, principalmente os que seguem um caminho espiritual... tenho aprendido mais um pouco sobre o que realmente significa viver na graça de Deus e oferecer essa mesma graça a todos os outros…
"Deus é cheio de Graça", o que quer dizer que Deus não culpa nem castiga ninguém... Deus ama a todos, sempre...
achei engraçado no outro dia, a minha irmã falou-me de um livro que falava de um edifício de uma igreja onde estava escrito na porta : "proibida a entrada de pessoas perfeitas"...diz tudo... mas o que se ouve em muitos sermões é que o "cristão" deve ser perfeito... o mal de nos acharmos perfeitos é que "os outros", que não são como nós são "os imperfeitos", os que estão errados, etc...
Mas voltando ao blog, que já me estendi demais... se ouvirmos as palavras de Jesus, não me recordo de nenhuma situação em que ele tenha dito “já foste à minha Igreja?”, nem mesmo “’Já me aceitaste como Senhor e Salvador da tua vida?”…
Jesus é quem nos escolhe, não nós a ele…Jesus é quem chama a cada um de nós, pela graça do Espírito Santo que nos concede a fé de acreditar que o mal, a morte e a condenação serão derrotados para sempre... Jesus foi o "Messias" esperado e profetizado pelos Judeus, que irá trazer a verdadeira Paz ao Mundo...
Jesus realmente envia alguns de nós, a quem ele chamou, para fazermos discípulos, ou seja, para transmitirmos os ensinos que temos recebido do próprio Jesus...
Jesus nunca disse que nos enviaria para desbobinar o "Evangelho" em quatro passos e perguntar à pessoa se quer "aceitar Jesus como Senhor e Salvador" (sem sequer explicar ou saber o que isso quer dizer), e depois claro, convencê-la a ir a uma "Igreja local"… e se não aceitar é porque deve ter o “coração duro” e assim "vai para o inferno"...
Não somos nós chamados a amolecer corações? Fazer discípulos implica para mim darmos a nossa vida por aqueles que Deus está a chamar… e simplesmente Amar cada um(a)... nem que eles nunca venham a desenvolver um relacionamento com Jesus.
Não foi isso que Jesus fez? Deu a sua vida por aqueles que o odiavam, por aqueles que o mataram, por aqueles que o traíram, pelos doentes, pelos desprezados e oprimidos, pelos que sofrem injustiças, pelos homossexuais, pelos toxicodependentes, pelos políticos, pelos jovens, velhos e crianças, por todas as "línguas, raças e nações"…
Dar a vida é bem diferente do que dar um folheto e ir embora...
Não li em nenhuma parte das Escrituras que Jesus tenha dado a sua vida pelos que iriam (num futuro longínquo) fazer parte da "Igreja Evangélica", ou qualquer outra denominação específica…
E “ir à Igreja” não quer dizer que a pessoa é perfeita ou santa...seja qual “Igreja” for... Sermos seguidores de Jesus, não quer dizer que nunca falhamos mais... Vamos sempre falhar...até os discípulos que andaram com Jesus falharam tantas vezes...mesmo depois da ressurreição, tendo o Espírito Santo que Jesus enviou, Pedro falhou quando não queria aceitar os não-judeus como parte da Igreja...como Paulo disse, por mais que conheçamos e amemos ao Senhor, vamos sempre ter um “espinho na carne” para nos esbofetear, para nos lembrar, que a graça de Deus é suficiente, e que todos precisamos constantemente dessa graça... Para que ninguém se glorie de si mesmo, para que ninguém se atreva a dizer que “eu é que sou um bom cristão”... Ou "eu sou mais espiritual que este ou aquele"...
Por isso sim, interessa o conteúdo da conversa entre aquele senhor e aquela jovem que provavelmente não percebeu nada do que se passou ali … Entre pregar mal o Evangelho e não pregar, mais vale não pregar… Quando Paulo recomenda a Timóteo para pregar o Evangelho em tempo e fora de tempo, não creio que estivesse a dizer para convidar as pessoas para "ir à Igreja", ou que apresentasse o plano de salvação em 4 simples passos num folheto, mas sim para viver os ensinamentos de Cristo a todo o tempo, "e, se necessário, usar palavras"...
enfim, acho que já disse o suficiente sobre tudo isto… e muito mais poderia dizer…
Só mais uma coisinha... Vamos ser honestos quando vemos ou ouvimos algo que não concordamos...muitos cristãos têm a mania de nunca criticar o que vem de outro cristão ou da “Igreja”, pois “é para Deus”, “é com boas intenções”...sim, não vamos julgar as intenções de cada um, mas não é mal nenhum criticar (para construir), na medida em que é para identificar um erro (se existe) e mudar, se for preciso...podemos até estar errados na nossa crítica, mas pelo menos damos espaço a diálogo, e não apenas a “engolir” tudo o que dizem ou fazem só porque é com boas intenções...
E acho que me alarguei... fico por aqui que já devem estar fartos de tanto texto sem fotos…