05 April 2026

O significado da Páscoa

 O que geralmente é ensinado, (quando é, já que estas celebrações cristãs não passam de meros cumprimentos sociais e familiares) é que a Páscoa celebra a morte e ressurreição de Cristo que assim garante a "vida eterna" aos que têm fé neste acto de Jesus preparado por Deus.

Outros ainda conhecem um pouco mais do significado e acrescentam que seria a substituição do sacrifício judeus "exigido" por Moisés, lembrando a libertação do Egipto, quando o espírito da Morte passou por cima (passover- Páscoa) de cada casa dos judeus que obedeceram às instruções de pintar a porta com sangue de um cordeiro sem defeito. Assim a morte não levaria o primogénito daquela casa como fez em todas as outras casas egípcias.

É uma história macabra, e provavelmente simbólica pois não há relatos no Egipto de tais factos, e os egípcios não iriam deixar passar uma história destas.

Que Deus seria este digno de ser adorado se isto fosse verdade? Um Deus que exige a morte de uns para libertar outros? Um Deus que mata crianças? Um Deus que deseja a morte do próprio filho segundo acreditam os cristãos? Mas que raio de Deus é esse? Eu diria antes, mas que raio de interpretações são estas atribuídas a Deus? 

Jesus desafia todas estas tradições.

Como já referi no artigo passado sobre a entrada de Jesus em Jerusalém, ele entra no Templo e fica irado, de tal forma que manda as mesas ao chão, liberta os animais e expulsa aqueles que trocam dinheiro para que os fiéis cumpram os seus sacrifícios exigidos pelas autoridades judaicas.

Jesus já tinha referido noutras ocasiões que "Deus deseja misericórdia e não sacrifícios", parafraseando o profeta Isaías, mas as pessoas preferiam obedecer a tradições do que a questionar o que isso quereria dizer.

Também numa das mensagens aos seus seguidores, antes de entrar em Jerusalém, Jesus diz que a vida eterna é conhecer a Deus, não referindo nada sobre a teologia da substituição, como é chamada a crença de muitos cristãos que dizem que "Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo."

Jesus é o cordeiro de Deus, na medida em que, em toda a vida nunca usou de violência ou maldade para derrotar o mal, e por isso lhe foi dada a maior autoridade nas regiões celestiais.

Jesus tirou sim o poder de condenação dado às nossas falhas ( ou pecados se preferirem), principalmente pelos líderes religiosos que usavam isso para controlar e dominar o povo, que precisava obedecer às exigências desses líderes para serem aceitos por Deus.

A ira de Jesus no Templo foi precisamente direcionada aos líderes religiosos, pois para Deus nunca foram precisos sacrifícios alguns. Como Jesus demonstrou tantas vezes, Deus está sempre pronto a perdoar e a apagar todo o passado que não mais nos serve, mesmo dos "piores pecadores" como chamavam os religiosos da altura.

Então, como é que os cristãos vêm a morte de Jesus como sacrifício para remissão de pecados e até para "irmos para o céu" e termos a vida eterna? ( Lembro também que essa obsessão com o "ir para o céu ou para o inferno" é relativamente recente na história da igreja cristã)

Uns até acreditam que Deus exigiu esse sacrifício de Jesus pois, segundo estes, só o sangue puro pode livrar os seres humanos do pecado, da morte e do diabo. No entanto Jesus teve vários confrontos com os líderes religiosos quando ele curava os doentes e dizia que os pecados já estavam perdoados, quando expulsava demónios que atormentavam as pessoas mostrando claramente que o diabo não tinha tido o poder e quando ressuscitou Lázaro mostrando que nem mesmo a morte teria o poder que achavam ter. Tudo isto antes de Jesus morrer como suposto "sacrifício".

Pois... eu também não compreendo, e não consigo aceitar estas teologias que nos são passadas e que ninguém parece questionar.

Deus é Amor. Deus é misericórdia. Como pode ser que Deus "precisa de sangue" e sacrificios? Como é que Deus precisa até de religiões com sacerdotes?

Não era isso que diferenciava o Deus de Abraão de todos os outros Deuses da Mesopotâmia na altura? 

Jesus diz antes da sua morte que a vida eterna é conhecer a Deus, não oferecer sacrifícios. (João 17:3)

Toda a mensagem de Jesus era precisamente contra a religião sacrificial dos líderes judeus que assim dominavam o povo, deixando-o dependente dos seus serviços religiosos desnecessários.

O livro dos actos dos apóstolos e as cartas de Paulo e de outros nunca referem nenhuma celebração da Páscoa se bem me recordo. Referem as celebrações semanais em que se reuniam em casas e partiam o pão e bebiam o vinho, lembrando a forma como Jesus morreu nas mãos do Império Romano e dos líderes religiosos. Mas nem mesmo isto era instituído como um acto religioso dirigido apenas por sacerdotes como foi instituído pelas igrejas até hoje.

Voltando á Páscoa e ao sacrifício de Jesus, seria mesmo necessário?

Será este Deus como tantos outros que precisa de ofertas e sangue para ser apaziguado?

Eu compreendo o ser usado o simbolismo do cordeiro e do sangue derramado para dizer que não são precisos mais sacrifícios para sempre, mas dizer que era esse o plano e propósito de Deus para Jesus é outra história.

Será que os humanos não querem ver que quem matou Jesus foram eles próprios? Os líderes religiosos, os líderes do Império e até o próprio povo que preferia os confortos e seguranças que tanto o Império como a religião ofereciam.

Jesus não tinha que morrer assim para nos "salvar"... "Salvos" são todos os que viram as costas ao Império, às Romas e às Babilónias... "Salvos" são os que não precisam líderes religiosos para lhes dizerem o que agrada a Deus...

E eis o que surpreendeu a todos.

Jesus ressuscitou. 

Ora, se fosse um sacrifício isto não fazia sentido. Um sacrifício oferece-se para nunca mais ter de volta, certo?

Não será a ressurreição uma forma de Deus dizer 'Não' a todo e qualquer sacrifício?

A ressurreição trás outras mensagens... O diabo, que domina os humanos através do medo da morte e da condenação dos nossos pecados, é derrotado pelo "cordeiro de Deus", não o "sacrifício", mas o humilde, submisso e não violento cordeiro. Foi exactamente a não violência que deu autoridade a Jesus para derrotar o mal, o diabo e a morte... Esta é a única é verdadeira revolução que destrói todo o mal e trás a verdadeira Paz.

No evangelho de João 16:8-11, Jesus diz que Deus já julgou o que governa este mundo, o diabo. O julgamento de Deus nunca é dirigido às pessoas, mas aos espíritos malignos que as possam dominar.

Deus vem libertar e não condenar, Deus vem acabar com a dependência de líderes religiosos e de líderes políticos, e principalmente regimes imperialistas e dominadores... 

Para mim, o momento mais poderoso da morte de Jesus foi o rasgar da cortina do "santo dos santos", onde o grande sacerdote entrava uma vez por ano (Yom Kippur) para estar na presença de Deus e pedir a remissão dos pecados de todo o povo.

O rasgar da cortina foi a forma de Deus dizer "Basta... a minha presença está disponível a todos os que me procurarem..."

Deus não precisa de sacerdotes, nem sacrifícios, nem templos para ser adorado, como Jesus disse claramente á mulher samaritana que encontrou no poço.

Nós somos o templo, nós somos os sacerdotes e sacerdotisas, o sacrifício oferecemos nós, de livre vontade, não para agradar a Deus, nem porque Deus exige ou precisa, mas por amarmos e sabermos que o caminho de Deus é o caminho do Amor, da misericórdia e da compaixão.

A mensagem de Cristo na Páscoa é o exemplo que deu, de não resistir a toda a violência e injustiça que sofria com nenhum tipo de violência. Quando Pedro cortou a orelha ao guarda, Jesus condenou esse acto e disse claramente que não era essa a forma de conseguir Justiça. Nunca foi e nunca será.

Eu sei que é mais fácil falar do que seguir estes ensinamentos, por isso Jesus deu o exemplo e não apenas ensinou.

"Many more will have to suffer,

Many more will have to die,

Don't ask me why" (Bob Marley)

A sabedoria de Deus vai muito além da nossa, e esta é a fé de quem se diz seguidor de Jesus... " Deus deseja misericórdia e não sacrifícios. "

Aqueles que fazem guerras para conseguir a "paz" ou a "justiça", não seguem o caminho de Deus, mas sim o caminho do homem que se afasta cada vez mais de Deus.


Entrada de Jesús em Jerusalém

 Como muitas das accões, parábolas e ensinamentos de Jesus, também a entrada em Jerusalém na Páscoa, chamada hoje de “domingo de ramos” entre cristãos, está carregada de significado político.

A maior parte das pessoas hoje acha que o cristianismo é mais uma religião entre muitas e que a mensagem de Jesus é apenas espiritual, mas deixam de lado a parte política a que deveríamos dar mais atenção, na minha opinião.


A entrada de Jesus em Jerusalém na altura da Páscoa dos Judeus é uma dessas acções.

Foi na verdade uma forma bem sábia, como era habitual em Jesus, de confrontar tanto os líderes religiosos judeus e os seus professores da Lei, assim como os líderes políticos que na altura faziam parte do Império mais temido em toda a história, os Romanos.


Para os Judeus, este dia era o início das celebrações do festival mais importante. A Páscoa era cheia de símbolos que lembravam o povo judeu da libertação da escravidão no Egipto  providenciada por Deus através de Moisés, e o início de uma identidade cultural, os judeus, e a adoração e o reconhecimento do seu Deus, Jehová, pelos povos vizinhos. 

O Deus de Justiça, de esperança e de paz para todos os que são oprimidos por impérios tiranos… um Deus diferente dos que eram adorados na altura, um Deus que fala pessoalmente com os humanos, sem necessidade de intermediários, e não precisa de imagens nem Templos para que seja adorado. 

Como sabemos, entre o tempo de Moisés e de Jesus (e de Jesus até aos nossos dias), muito foi sendo distorcido e alterado baseado em relatos e interpretações humanas de textos ditos sagrados.


Jesus entra em Jerusalém de uma forma que trouxe esperança ao povo que já vivia sob a opressão do império Romano. Não sabemos se foi um protesto organizado ou espontâneo, mas o que é certo é que grande parte da população de Jerusalém aderiu à paródia sem mesmo se importar com o que os soldados e autoridades Romanas poderiam pensar..

Eram os conquistadores romanos que faziam as procissões de triunfo mostrando o poder dos seus exércitos, das suas armas e batalhões e montando os seus cavalos de guerra imponentes que deixavam o povo cheio de  medo com a intimidação.

Jesus resolve montar um burrinho, seguido de simples e modestos homens e mulheres da Galileia, pescadores, agricultores, artesãos e donas de casa, e fazer uma ridícula imitação para mostrar que não são precisos grandes exércitos ou poderosas armas para mostrar o verdadeiro poder do mesmo Deus que libertou o povo da escravidão no Egipto… 

A população compreendeu logo a sátira e juntou-se ao teatro… trouxeram folhas de palmeira que era também um símbolo de realeza e de riqueza, pois eram palmeiras que os escravos usavam para que os seus senhores tivessem sombra e ar fresco ao serem abanadas sobre as suas cabeças… Neste caso os ramos não foram usados para fazer sombra ou ar fresco, mas para serem pisados por este homem montado num burro, como se fosse um rei, como sinal de adoração e submissão… Alguns interrogavam-se quem seria esse louco sentado num burro, e diziam que era um profeta de Nazaré na Galileia… a Galileia na altura era a região dos pobres e iletrados, maioritáriamente composta de aldeias agrárias e piscatórias.


As pessoas em Jerusalém entusiasmaram-se pois a Páscoa era a altura em que o povo rezava por libertação,ou salvação do regime opressor que os dominava, assim como tinha sido o Egipto e a Babilónia, e como era agora o Império Romano. Seria este o profeta esperado que iria livrá-los do Império tirano? Os profetas judeus faziam actos que a olhos humanos pareciam loucura, por isso, havia grandes possibilidades e esperança no coração de muitos.


Os judeus esperavam uma revolução política ou uma intervenção divina de poder para livrá-los da tirania Romana que não parecia ter fim, mas este profeta falava de um outro “reinado” e muitos já o intitulavam de “Senhor”, “Rei dos Judeus” ou “Filho de Deus”, títulos atribuídos na altura apenas ao Imperador Romano... 


Jesus falava de um reinado de verdadeira paz, de justiça, de amor e sem violência, em oposição à chamada “pax romana” que era mantida pela tirania e constante vigilância de soldados armados. Chamava-lhe “Evangelium” que quer dizer “boa nova”, também com uma conotação política, em oposição à “boa nova” dos Romanos que era um anúncio de vitória declarada pelos romanos a cada nova povoação conquistada.


Jesus não opunha apenas o império Romano, pois os líderes religiosos também mantinham o povo oprimido e longe de Deus, usando as escrituras sagradas para julgar e exigir dos fiéis o que Deus nunca exigiu, através de teologias que só serviam os que abusavam desse poder religioso. 

Então, logo após a entrada satírica em Jerusalém, as coisas tornaram-se mais sérias quando Jesus se dirige ao Templo Sagrado, que para ele representava a casa de Deus, a quem chamava de Pai, uma casa de oração para todos os povos… judeus e não-judeus, ricos e pobres, homens e mulheres, adultos e crianças…


Jesus chega ao Templo e o que encontra? Um mercado… comércio por todo o lado… uns a trocar dinheiro, pois o Templo tinha a sua própria moeda e era ali que os visitantes de todo o lado vinham para dar as suas ofertas e sacrifícios como mandavam os líderes religiosos… É importante realçar que estas práticas não eram exigidas por Deus, e Jesus fez questão várias vezes de lembrar o profeta Isaías que disse que “Deus não exige sacrifícios, mas misericórdia”... Por isso também havia imensas bancas com todo o tipo de animais, supostamente exigidos por Deus para serem sacrificados para redenção de pecados. Eram estas crenças que Jesus não parava de confrontar nas suas mensagens, mas o povo não queria ouvir. Preferiam seguir os supostos ensinamentos de Moisés e continuar as suas inúteis práticas religiosas, do que ouvir a Deus, que apenas queria um relacionamento pessoal com cada um , oferecendo a Sua imensa misericórdia a quem dela precisasse, sem ser preciso sacrifício algum, nem mesmo um Templo.


Jesus não se conteve e aqui está o único acto que poderá ser considerado “violento” da parte de Jesus. Na minha opinião, um acto humano, como Jesus também o era. Assim como Jesus também chorou no funeral do seu amigo Lázaro, também acredito que, como qualquer ser humano, também tinha emoções para expressar os seus sentimentos, sendo um deles a ira face a injustiças, ou face a ignorâncias como esta que ele presenciava. 

Se lermos bem, Jesus não usou de violência contra ninguém. Jesus virou as mesas dos que trocavam dinheiro, os bancos dos que tinham animais presos em gaiolas, soltando a todos e  libertando também os animais de todas as injustiças humanas com a ajuda de cordas como se fossem chicotes. Estavam ali também pessoas com várias doenças, cegos e paraplégicos, e Jesus curou-os a todos num instante, dizendo que não eram necessários todos estes sacrifícios,muito menos dinheiro para pagar por eles.

Em vez de ter criado admiração e louvor, aquilo enfureceu ainda mais os líderes religiosos e os professores da Lei judaica, pois Jesus confrontou diretamente a falsa autoridade que eles diziam ter diante do resto do povo, passando uma mensagem em que nem os sacrifícios, nem o Templo, nem nenhuma autoridade religiosa eram precisas para Deus atender aos pedidos do povo.


Não é de surpreender que ao fim desta semana Jesus tenha sido preso, torturado, injustamente julgado e acabando por morrer crucificado, não só a comando do Império, mas por todos aqueles que não queriam abdicar nem das suas tradições e do seu suposto poder e autoridade, mas também pelos que não queriam abdicar de toda a ilusão que este mundo oferece e que multidões aceitam sem sequer questionar.


Vivemos em tempos muito semelhantes… vários impérios se querem levantar, apoiando líderes tiranos que se gabam dos seus exércitos e armamentos poderosos… Tantas religiões se vendem ao capital e ao poder para dominarem os seus fiéis e arrecadarem riquezas sem ensinarem nem praticarem a igualdade de classes, de raças, de nacionalidades ou caminhos espirituais. Quantas comunidades espirituais se levantam contra as injustiças humanas e os poderes políticos hoje em dia?

  

Dá vontade de virar as mesas e os bancos e expulsar a todos os que fazem negócios com o que é sagrado… Dá vontade de ir para as ruas como foram milhares de Americanos neste sábado e gritar pelo fim das guerras e seus negócios multimilionários, pelo fim de racismos que não fazem sentido nenhum, pelo fim do uso e abuso de poder contra os que têm falta de papéis para serem considerados humanos, pelo fim do uso de armas, pelo fim de toda a violência, pelo fim de todas as injustiças e falta de igualdade, pelo fim do uso da religião e escrituras sagradas para oprimir, julgar e condenar o que nenhum Deus jamais comunicou.


Estou neste momento em Angola, entre povos que viveram sob a opressão e domínio do Império Português por quase 500 anos, seguido por uma guerra civil que mais não foi que uma luta pelo controlo dos imensos recursos naturais e não pelo bem do povo como achavam os militantes libertadores que deram as vidas por ideais que nunca foram seguidos por quem se encontrou no poder… Ainda hoje, e já desde o fim dessa guerra em Abril de 2002, Angola vive sob um governo tirano, disfarçado de “democrata”, onde não existem eleições que não sejam corrompidas, e onde o povo não pode sequer protestar sem correr o risco de sofrer retaliações gravíssimas, incluindo a morte.

Quantos mais “cristos” serão precisos para confrontar estes regimes, políticos e religiosos, e trazer o verdadeiro Reino de Deus a todas as terras em todas as nações?  E quem irá defender e estar ao lado desses “cristos” ?

Quantos mais ainda vivem cegos e nem conseguem ver as injustiças, o permanente “racismo” entre académicos e iletrados, ricos e pobres, senhores e serventes, urbanos e rurais, sedentários e nómadas?


Foi também o povo que implorou a Pilatos para crucificar Jesus, pois também muitos temiam a insegurança que poderia surgir se os romanos fossem incomodados e os líderes religiosos deixassem de fazer o trabalho que cada um deveria fazer. Muitos preferiram a “pax romana” garantida pelo exército em vez da verdadeira Paz de Deus que vai para além desta vida material. Muitos preferiram manter os líderes religiosos que lhes diziam o que fazer do que terem o “trabalho” de buscarem eles mesmos as instruções do próprio Deus que diziam seguir e adorar.  


E o que preferimos nós hoje? Não nos incomodar? Limitarmo-nos a cumprir os nossos deveres religiosos como mandam os nossos líderes? Não protestar, mesmo face a injustiças? Não dizer nada com medo das retaliações ameaçadas?  Deixar andar pois nada vai fazer mudar?

Que raio de cristãos temos hoje? Que raio de líderes religiosos temos hoje? 


O líder da Igreja católica em Israel foi impedido pela polícia Israelita de entrar na Igreja do santo sepulcro para celebrar a missa neste domingo de ramos, e nada é feito ou dito?… Assim como nada é feito face ao contínuo genocídio em Gaza e todas as guerras que afligem este mundo nos tempos em que vivemos.


Precisamos da sabedoria divina e mais acções como as de Jesus a entrar em Jerusalém numa paródia poderosa que abalou um Império como o de Roma e o virar das mesas que evidenciou a hipocrisia e falsidade dos líderes religiosos que afastam cada vez mais as pessoas do Deus Universal de Amor e Paz, em vez de mostrar o caminho de humildade e justiça do Deus que continuamos a crucificar e matar.


Meditemos nestes ensinamentos. Passemos tempo a ouvir, a contemplar, a questionar e a estudar os ensinamentos que nos chegam. Seja qual for a tradição, a religião, o mestre ou guru, o Deus ou Orixá, a montanha, o rio, a cachoeira ou o mar, vamos ouvir o que o Divino tem para falar. Vamos dar espaço ao silêncio para escutar.

04 June 2025

sEr iMigRaNtE...


Já estou a ler o último livro do Manuel da Silva Ramos  ("Os cosmólogos não vão para o céu") onde o personagem principal visita o Monte dos Carvahos e pede-me para dar umas dicas de construção em terra . Uma boa leitura, entre ficção e realidade. que retrata a cultura e as gentes da Beira Baixa nos dias de hoje... e também uma ousada sátira aos movimentos extremistas de direita que infelizmente se levantam pelo país fora, incitando as populações ao racismo, ao medo do "outro" e instigando a rejeição de imigrantes como ameaça à segurança nacional... Vale a pena ler... Retrata muito bem outros personagens que se mudaram para o Fundão nos últimos anos e que nós também conhecemos pessoalmente...o Alejandro, um génio Boliviano, poeta, músico e cineasta entre muitas outras coisas... Yahya Hussein, um refugiado do Sudão que foi colega da Emma quando trabalhou no Fundão como mediadora entre várias culturas...os cineastas João Dias, José Oliveira e Marta Ramos também são mencionados várias vezes e o verdadeiro Fundanense, o cineasta Mário Fernandes, que na sua modéstia teceu todos estes relacionamentos com o autor do li
vro.

Achei interessante ser também retratada como imigrante...e como Angolana... escrevo este artigo porque me fez refletir sobre as minhas origens familiares e diferentes participações na sociedade que é hoje Portugal... Sou apresentada como mais uma imigrante no Fundão, juntamente com o Alejandro e o Yahya. Já vivo aqui há quase 19 anos, numa quinta de 5 hectares que regenerei seguindo as éticas e princípios da Permacultura. Nasci sim em Angola, em novembro de 1974... no meio de uma guerra... Nessa altura civil, pois o governo colonial português foi simplesmente abandonado, assim como as centenas de milhares de portugueses que ali viviam, fugidos da ditadura e frieza da Europa. Quando os meus pais tiveram que fugir em 1975, com pouco mais que as roupas que tinham no corpo, eu tinha 7 meses, o meu irmão 4 anos e a minha irmã 2. Mais um primo, com 3 anos, que estava a passar férias conosco. Os meus tios só souberam do paradeiro do filho deles já em Portugal... só sei tudo isto e outras histórias do que fui ouvindo em reuniões de família ou encontros de "retornados"...

Os meus pais tinham menos de 30 anos. Voltados a Portugal como refugiados de guerra, fomos chamados de "retornados", com certo tom depreciativo. A mim passou-me tudo ao lado...era criança e orgulhosa de dizer que tinha nascido em África. Também nunca liguei muito à parte política da questão...senti as injustiças que sofreram todas as partes envolvidas...

 Então o que faz alguém ser de uma nacionalidade?  E porquê se responsabiliza e acusa alguém pelos erros cometidos pelo governo político da sua nação? eu não sei, e não é uma identidade a que me apego... um passaporte ou uma cidadania só me servem para estar legal, acho eu... Geralmente quando perguntam de onde sou, tenho que contar uma história (como a maioria das pessoas na Europa de hoje)... digo que nasci em Angola, na terra dos Chokwé...cresci no Porto até aos 21 anos, viajei, vivi na linha de Sintra e em Lisboa por 7 anos e estou aqui no Monte dos Carvalhos, Póvoa da Atalaia, Fundão, desde 2006... O meu nome é Bárbara, que significa "estrangeira pela terra", ou "não-romana"...identifico-me com ambas as definições :-)

Sou branca com muita pena, pois sempre quis ser preta... Não sei porquê, coisas de criança, mas talvez por ter nascido em Angola e gostar do povo nativo... ou por ter uma mãe que é mais Angolana que portuguesa... Também sempre preferi me identificar com os que sofrem ou são descriminados, e talvez por ter visto desde a minha nascença, entre bombas e tiros, mutilados e muito sangue em corpos negros, as injustiças cometidas contra um povo que nada fez para o merecer...

É interessante esta questão da imigração e sua definição...

Nunca me vi como imigrante em Portugal, mas se calhar é outra definição do meu nome... ou serão os "retornados" considerados imigrantes por este autor beirão? Na verdade, segundo a sua apresentação, também ele foi exilado em França para fugir ao Fascismo... Não serão apenas nomes para o mesmo fenómeno que faz os humanos mudarem da sua terra para outra em busca de uma vida melhor ou mais segura ?

A razão que me trouxe a esta terra foi pura obediência, já que vivo ao serviço e com a direcção do Espírito desde 1998. Obediência a um chamado e um sonho divino (se é que ainda isto é compreendido nos dias de hoje sem que seja vinculado a uma Igreja, Ordem ou religião)... Serão imigrantes também os padres, as freiras e frades, os missionários e os ajudantes humanitários? Ou será que é algo tão alienado acreditar que Deus ainda existe, e ainda orquestra o movimento de gentes que se cruzam como que "por acaso"? Será já tão fictício imaginar um Ser Divino que tem planos muito maiores do que os nossos pequeninos sonhos, planos maiores do que "o progresso" e o desenvolvimento do interior de um país ?

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce." já dizia o grande poeta. Serão os imigrantes os sonhadores?

Não cresci nesta região, é certo, mas por acaso vim cá sempre pelo Natal, pois o meu tio, que também teve em Angola, é da Mó, uma aldeia perto de Alvito da Serra onde ainda me lembro de ter vindo à inauguração da electricidade... devia ter uns 12 anos.

Lembro-me de sair de manhã cedo do Porto e com sorte chegar para o jantar... lembro-me dos enjoos nas curvas, da Nacional 18 e do café central de Alpedrinha onde o meu pai tomava o seu último café antes de chegarmos a Castelo Branco... e o alivio ao ver a recta final com Plátanos que faziam como que um túnel na estrada, provavelmente entre a Lardosa e Alcains...

 O meu tio sempre foi e ainda é um senhor respeitado em Castelo Branco. Sempre honesto e trabalhador. Foi o dono do "Restaurante africano", onde a minha tia cozinhava, que foi o jeito de começarem uma nova vida longe daquela que amaram e tiveram que abandonar por várias ameaças de morte em Angola (tanto pela UNITA, MPLA ou FNLA, pelo que sei hoje, encorajados pelos revolucionários libertadores em Portugal)... As minhas primas, então adolescentes, também sofreram ameaças quando chegaram a Castelo Branco, mas eram dos homens...nunca mais quiseram usar mini-saias ou roupas coloridas que tanto estavam habituadas, a menos que se submetessem a serem tratadas como prostitutas no caminho para a escola...

Ainda sem casa, os meus tios dormiam por baixo de umas escadas no edifício onde era o restaurante.,,Como sempre foi honesto e respeitador de todos, o meu tio conseguiu um empréstimo no banco para comprar um terreno em Montalvão, nos arredores da cidade (no meio do nada, na altura, agora é a 5 minutos da "Decathlon"). O meu avô, veio erguer um prédio de 2 andares onde ainda hoje vive o meu tio Rodrigues que fez há pouco 90 anos.

Esse meu avô, Adelino Rosa, o querido pai da minha mãe, foi  grande empreiteiro, construtor, carpinteiro, pedreiro e bom trabalhador, tanto em Angola como aqui em Portugal.  Também gostava de beber e cantar à desgarrada, e apoiar o clube de Vale de Açores em Mortágua, de onde veio toda a família da minha mãe. Em Vale de Açores são (eram) quase todos ou "Rosa" ou "Simões" que era a família da minha avó Judite. Os Simões tiveram no Brasil, berço da minha avó que veio ainda bebé para Vale de Açores. Esta minha avó era das melhores agricultoras da aldeia. Eu ainda me lembro de ajudar a colher batatas, o milho e ajudar nas vindimas. Sempre providenciou toda a comida para a família, e até nós, quando íamos de visita do Porto, trazíamos a mala cheia de batatas, cebolas e outras coisas da horta dela. Casal perfeito para irem para Angola, para serem pioneiros numa pequena vila agrícola no meio de montes e selva, entre o povo Umbundo e Kikongo, como foi o Bocóio, a sul de Benguela, onde se estabeleceram e criaram 4 filhos.

Do lado da minha mãe tenho os pioneiros da terra: agricultores, construtores, e comerciantes que se estabeleciam onde quer que fossem...uns em Vale de Açores foram fervorosos Republicanos e até foram presos por defenderem esses ideais... 

Do outro lado,do meu pai, tenho os monarcas e os mais estudados... graças ao fim da monarquia e mais tarde ao meu avô João a nobreza já está longe... João Acácio da Nova Leite deixou a nobre família para começar uma nova, mais simples e modesta, em Angola, com uma linda mulher Malangina, com quem teve outros filhos... Uma delas, a tia Teresa, foi quem praticamente me criou, até à minha adolescência, enquanto os meus pais, como retornados, se matavam a trabalhar para recomeçar uma vida do nada, na cidade do Porto onde vivia a familia do meu pai. 


A nobreza tinha vindo da Croácia por Antun Pusic (aportuguesado para António Pusich)
, um oficial Naval de Ragusa (Dubrovnik), que veio servir a armada portuguesa a pedido do rei Português e até serviu vários encargos de relevo, entre os quais o de intendente e depois governador de Cabo Verde (1801 a 1822). Antonio tentou abolir a escravatura ali já que tinha a mente aberta dos Croatas que tinham abolido tal acto repugnante já no século XV no Reino de Dubrovnik, mas infelizmente sem sucesso. Parece que fez boas coisas por Cabo Verde onde ainda é lembrado hoje juntamente com a filha Antonia, mas não era muito aceite por outros oficiais portugueses por este ser "estrangeiro". António tinha casado com Ana Maria Isabel Nunes cuja família fazia parte dos serviços da casa real...(e um dos padrinhos de casamento foi o Marquês de Pombal, imaginem)... entre os vários filhos nasce Antónia Pusich já em Cabo Verde, onde toda a familia viveu...

Esta foi mãe de 11 filhos e 3 casamentos, foi poetiza, escritora, dramaturga, compositora e pianista, editora de várias publicações de jornais e revistas lisboetas. Foi a primeira mulher em Portugal no início do século XIX a fundar, possuir e dirigir jornais em Portugal. Uma mulher bem avançada para a época... portuguesa, ou não...eis a questão...mas participou bastante na vida e sociedade portuguesa de Lisboa, influenciando principalmente a emancipação das mulheres tanto na política como nas artes... Encontrei isto num artigo do Diário de Notícias sobre esta "famosa" antepassada minha: "quando o jornal Revolução de Setembro afirmou que as senhoras não deveriam escrever sobre política, esta mulher, que assistia muitas vezes às sessões parlamentares, insurgiu-se contra o ataque às capacidades do género feminino e respondeu num opúsculo intitulado Galeria das Senhoras na Câmara dos Senhores Deputados ou as Minhas Observações. Anos antes das ideias inovadoras da República sobre a independência das mulheres, já Antónia, mulher de orientação monárquica e religião católica, tinha defendido que as mulheres deviam aprender a ler e a escrever para poderem participar na vida social religiosa e política do país." E esta hein ?!

Tanto pai como filha, foram desprezados pelo Portugal liberal da altura... hoje são mais lembrados pelos Cabo Verdianos onde marcaram a sua presença.

Bem, podia continuar a descrever a presença portuguesa e o espirito migratório nos meus antepassados : pobres, ricos, lavradores e intelectuais, republicanos, monarcas e até brancos e pretos...

A minha identidade não está numa nação, numa terra, numa cidade, nem mesmo na minha orientação sexual como parece estar na moda nos dias de hoje (mais outra minoria descriminada...graças a Deus não criminalizada neste país). 

Sou da terra, pois nasci dela... mas sou também do Espírito, por isso pouco me diz o que as sociedades humanas determinam e definem...somos todos humanos, não há gregos nem troianos...Somos humanos e sempre andamos de um lado para o outro... As fronteiras são um conceito humano e não geográfico...muito menos natural...Sou humana no ecossistema onde habito, onde planto a minha comida, ou a encontro selvagem, dádiva do Criador...

Sou humana, e não sou pertença de nação alguma... Gosto de ser anarca e livre, e assim espero permanecer... Não sou Angolana, nem Portuguesa, nem Europeia, nem branca, nem só mulher...sou tudo e o que me quiserem chamar...sou única, como mais ninguém... como todos, como tu também... somos histórias, livros, filmes, narrativas que não param e que constroem o que é ser humanidade...

somos um...filhos (as) do homem e da mulher...não somos posse de ninguém muito menos um número fiscal...somos filhos (as) de Deus...filhos (as) da Terra.

Estou em terras do Fundão, e "a terra é de quem a trabalha",  certo? Já diziam os locais na Revolução... Aqui trabalho com o meu suor e as minhas mãos... Sou respeitada e aceite pelos meus vizinhos que também não param de trabalhar a terra para dela viverem... é o que se faz no campo... Nas províncias, como é chamado pelo urbano escritor

As árvores, plantas e os animais que me rodeiam reconhecem-me pois crescemos juntos, e isso para mim, hoje, é o que me faz sentir que pertenço... 

Este mundo não é só feito de humanos para humanos... este mundo tem outros sistemas que nos abraçam, que providenciam as nossas necessidades e cuidam de nós quando envelhecemos...

O lugar e a data em que nascemos dá-nos apenas um contexto da nossa história, a influencia dos Astros presentes talvez moldem a nossa personalidade, mas não nos dá identidade... essa construímos através das nossas vidas e escolhas...

somos humanos...e devíamos por direito ser todos legais...imaginem os animais migratórios terem que pedir vistos e direito de residência cada vez que viajam nas suas rotas naturais...

A questão do racismo, a descriminação e nacionalismo extremo é abordada neste livro por estar tão presente pelo mundo fora nestes dias que vivemos... mas que ignorantes ainda estamos numa parte do mundo que se diz tão inteligente... ainda não aprendemos com tantas histórias... e ainda continua a ser tão fácil manipular e espalhar o medo e a insegurança com narrativas repetidas...

Acho ao mesmo tempo irónico que a Europa seja tão xenófoba e resistente à imigração de pessoas provenientes de culturas que foram por nós colonizadas, destruídas e destabilizadas até hoje... Admiro-me nunca se falar da descolonização da América do Norte, do Canadá, da Austrália e Nova Zelândia, não é? Os Europeus estão pelo mundo fora e levaram a cultura e a religião que impuseram ao povos que oprimiram, perseguiram e destruiram... E agora não querem receber os outros? Mas que arrogância...O próprio Trump não me parece ser descendente de nenhum povo indígena do continente Americano, no entanto acha-se no direito de decidir quem pode entrar e quem tem que sair do país que governa, segundo um sistema importado em terra alheia... de quem é a terra afinal ? E quem dita quem tem direitos de pertencer ou não? Ficam aqui as minhas questões...


13 February 2025

eSpErAnçA...

 Quero escrever sobre ESPERANÇA...

a esperança que sempre alcança,
a esperança que não se pode perder
até me aperceber
que o que esperei sem ver,
como se já existisse,
está a começar a acontecer,
e dá-me esperança para esperar...
Esperar e preparar,
pois tudo tem que estar no seu lugar,
no lugar e tempo certos,
temos que estar sempre despertos...
conexão virtual,
conexão espiritual,
conexão na terra,
no céu, na água e no ar,
conexão no fogo
que está aqui para purificar,
separar e transformar...
temos que ver que o tempo está a chegar,
e o Reino da Paz virá para durar...

Temos filhinhos do papá
a reinar nações potentes,
mas o que não querem ver
é a resistência a crescer,
e a Verdade a transparecer...
Já não somos só alguns "loucos",
e já não somos assim tão poucos,
somos cada vez mais,
e de nós falam os jornais...
Venham Trampas e Putinhas,
venha Israel com acções mesquinhas,
a indignação está a crescer,
e quem se vai destruir
é aquele que não quer ver...
vítimas dos seus próprios meios de comunicação,
"fake news", propagandas e toda a manipulação,
ainda não repararam que estamos a mudar,
e a evoluir,
já temos mais direitos
e meios de nos unir...

o consumo é o poder nas nossas mãos,
se deixarmos de consumir
os produtores não escravizam os nossos irmãos
nem o planeta vão destruir...
já se cria comunidade
onde isto é verdade,
aumentamos a produção
e trocamos sem tostão,
(não acham uma curiosidade
que isto não passa na televisão? )
encorajamos uma vida simples,
aquela que sempre serviu
às comunidades ligadas à terra
e dependentes dela ...
cada bio-região
determina a dieta e a construção ,
produz o que é essencial
regenerando os recursos
em benefício da futura geração...
Todos sabemos compartilhar,
amar o próximo e perdoar,
todos a cuidar dos nossos anciões,
dos que curam e dos professores,
das crianças, viúvas, dos pobres e dos benfeitores,
e não esquecemos dos agricultores
não mais "pobres coitados",
mas reconhecidos e os mais abençoados,
por poderem viver
na terra de onde todos vamos comer...

É o que espero e acredito,
é o que escolho ver
em vez do que me é contado, visto ou escrito...
A Esperança vejo-a nos sinais da Primavera,
no fruto saboroso de cada época,
para quem ainda o espera,
na chuva, nas flores,
nos insectos polinizadores...

Só não vê quem não está acordado,
adormecido pela constante distração
que começou pela televisão...
hoje é tudo pela internet e telemóvel,
mais um jogo, mais um filme,
mais um berbequim, mais um imóvel...
necessidades sem parar,
que nunca foram precisas
até alguém as fabricar...
consumo é poder,
não vamos esquecer,
e vamos também votar
já que é assim que querem jogar...
Acordem Senhoras e Senhores
que se deixam levar por partidos sem valores,
já chega de conversas de manipulação
dizendo heresias com formato de religião,
dão ar de justiceiros,
mas usam o nome de Deus em vão ,
extremos à direita ou à esquerda
só querem separação...
no meio está a virtude,
no povo sem partido
e não dividido,
na tolerância, na paz, na solidariedade
na co-existência , no amor ao próximo e na igualdade,
em Espírito e em Verdade unido,
este povo jamais será vencido...

23 December 2024

tHe sPiRiT oF cHriStmAs...my own thoughts about Christ?


(before anything else I would like to say that this is a simple personal perspective and maybe not so accurate theology or history...or maybe it is...I just went with the flow of my thoughts and I can´t be bothered with researching exact facts now, or accurate bible verses...maybe that proves I am not A.I.) 

I wanted to remember who Christ was and who Christ is for me today... That´s what Christmas should be about, right? We could share more stories with each other about our journeys with God, I´m sure there are amazing ones out there... Unfortunately for most around me today I know Christmas is not at all about sharing about Christ... if Christ is not mentioned it´s even better... bring the food, the drinks and the presents and lets party...

John the disciple speaks about Christ as the Light of the world ( in another story Christ said his disciples are also the Light of the world)... I guess that´s why this season was chosen to celebrate Christ´s birth as most ancient cultures would celebrate the Winter solstice, the darker day of the year, from which Light would start to grow each day... I personally love this day as I know we´ve past the "worst" of winter and soon days are growing again :-) ... 
Darkness will never be total or at least will never last forever...Pheeeew, what a relief... yet is in the dark we see the light...
"The Light came into the darkness, and darkness will never master it" (John 1)

 

Let´s talk about Jesus Christ, the Messiah, as I believe he is...or Yeshua HaMashiach... A simple jew (well, not that simple), born with no land and no home, coming from Egypt as a refugee, yet descendent from King David as many prophecies predicted the Messiah ought to be... He was called to carry the presence of God, the Pure Divine Love as no human ever or after incarnated... This presence healed many, set many free from demons, oppression, social judgements, and gave hope to many outcasts and untouchables from his time and society... he hang out mainly with the poor and lower classes, mostly farmers,  fisherman and women (which his culture didn´t have much consideration for)... He was an incredible teacher and show them a different way to live in this world, specially that time under the Roman Empire´s rule... He taught everyone not to conform with the ways of this world but to alter their consciousness and follow the ways of a loving God who will guide each one of them...This way was simple : to Love God, with all the heart, mind and spirit, to love ourselves and one another, to share and care for one another as a family, not of blood, but of spirit, where God would be our Heavenly Father and Mother, guiding us and protecting us... and people were promptly doing that because they would experience the pure and indescribable Love of God in themselves...


To speak about Jesus, or Yeshua, we need to speak about Abraham too, a man who grew up in Ur, a sumerian city-state, and one of the first big cities in the middle of the east/west trade route (southern Iraque now)... Social classes started to exist, nomads started to settle, farming and shepherding started to be developed... hunter/gatherer cultures in this part of the world had their days counted... At this times there were many Gods, local Gods, each culture with their own, who would help them with connection with a divine Spirit, would give them wisdom to live on the land, building shelters, hunting, foraging, healing, etc... 
This migration from Abraham´s father and then himself represented a break from the established norms and religious practices in these urban centres... when everyone wanted to go live in cities, Abraham chose a life of a nomadic shepherd...
The notion of a God who speaks with humans and who desires a relationship was foreign at that time (maybe only for priests or prophets but not for "common people)...Gods were more like a convenience to answer prayers and work for people´s interests, as long as they would offer some stuff and adoration in return (it sounds familiar)... Abraham´s father goes north to another city in Mesopotamia and there after his father dies Abraham heard a voice, supposedly from The Eternal God, who had no name or followers it seemed... Abraham recognized the Presence that filled him with Love...
I guess this God had a plan for human kind and God thought Abraham would be up for it, as he really loved and desired this Creator God who speaks... he heard something along these lines " I will give you descendants who will be separated to love me, follow me and worship me the way you do...(Abraham was old and his wife Sarah sterile by the way...little details) Abraham´s descendants did become a nation and did eventually take possession of the land Abraham lived as a shepherd... This nation was never supposed to have a king or become a kingdom (possibly not even possesing land, but that´s quite controvertial and sensitive, so lets not go there)... 

They were separated to love God, the Creator of Heaven and Earth, to serve and follow God wherever He/She would guide them and be a blessing to all other nations... But things didn't really worked as planned... the Jews wanted a king and wanted to be a kingdom like everyone else..."Shit, they missed the point"...maybe a thought from God at the time ,

"You really want a king? Take this young shepherd boy who loves to play the harp for me and dance naked...He will be a perfect King for you" These are my words you might presume, but I imagine God being really dissapointed on how things turned out...Before they really took this course like other nations, God warned them through Samuel, a prophet that heard God quite clearly, but the people were determined and they didnt care... 
“...This is what the king who will reign over you will claim as his rights: He will take your sons and make them serve with his chariots and horses, and they will run in front of his chariots. Some he will assign to be commanders of thousands and commanders of fifties, and others to plow his ground and reap his harvest, and still others to make weapons of war and equipment for his chariots. He will take your daughters to be, perfumers and cooks and bakers. He will take the best of your fields and vineyards and olive groves and give them to his attendants. He will take a tenth of your grain and of your vintage and give it to his officials and attendants. Your male and female servants and the best of your cattle and donkeys he will take for his own use. He will take a tenth of your flocks, and you yourselves will become his slaves...But the people refused to listen to Samuel. “No!” they said. “We want a king over us"..." (Samuel 8:10-19) oh well... and God was not saying this about David, but other kings who would follow...possibly until now...
things got worse and worse, far from what God intended in the first place... 
In my humble and naive opinion the Jews were meant to be a separate people to worship God, to serve God by serving other people and all creation, to follow God, to Love God and their neighbours as themselves, being a blessing to all other nations... Many other things went wrong on the way...Exiles, Slavery, Moses, wars, etc... God kept speaking with Prophets who had amazing gifts to hear God´s voice, had visions, interpret dreams, healed many and performed what we call miracles... many were persecuted or killed or ignored... There were prophecies of a Messiah, a Savior from all this mess, saving them from the results of all their mistakes...and they would be again back on track to fulfill their call, maybe without land, spreading all over the world, bringing God´s presence, with Love, songs, healing, joy and hope... Everywhere they would settle, they would bring real prosperity, peace and helpful solutions for every land and society they would live... they would bring resilience in real sustainable communities wherever they would go, because they would carry in themselves the presence of the Almighty God, creator of Heaven and Earth...Love, Prayer and worhip always before them... 

 

Yeshua, the promissed Messiah came and carried that Love... The religious Jews of that time were so blinded by their traditions and the power they held that they refused to accept it... Jesus was real bad news for these guys...until today I guess... By then God learned his lesson and kept a plan B just in case Jesus would be really killed... And he was...It was inevitable, there was too much power on the table to let go...plan B caught all by surprise I guess... 1st Jesus didn't remain in the realm of the dead, and then the Spirit that incarnated in Jesus was spread and available to all peoples, tribes and languages... The same Spirit was now touching people and filling them with pure Love and amazing powers were channelled  by many people who believed and welcomed this Holy Spirit, jews and not jews... God was calling whoever wanted to turn their backs to all human systems and be a messenger of Light and Love, of Justice and Hope, and bring the presence of God, The Creator of Heaven and Earth, to here and now, building community families from all languages, tribes, nations and cultures... the Spirit was flowing everywhere and eventually spread all over the Roman Empire ... 
For the first 3 centuries this Spirit was free and there were many expressions of these communities filled with the Spirit and defying the big Empire of Rome and its ways and rules...
until the institutionalization of christianity by Constantine (that would be another long discussion)... 


Things are still messed up in my opinion (not really to plan I guess), but hey, lets keep up the hope... 
 It´s a long way the path of Love, but it´s a worthy way... We are not alone on our own strength, the Spirit is still with us to help,... We don't need to build churches either (Abraham was making altars under trees), we simply need to be the "church", the followers of the way Jesus Christ has shown us... we don't even need to be "christians" as far as I´m concerned, as I have seen this same Spirit in many people from all sorts of spiritual paths, religions and belief systems... 
I guess it´s not for all either, nor it´s to convince anyone... it is a call to respond or not... we all play our part in this life... many follow this way without knowing or without naming, maybe they dont want to be "boxed" or "labelled"...
 

"the real worshipers will worship in spirit and in truth, those are the worshipers my Father wants", said Jesus once (to a Samaritan woman that culturally he should not have been spoken with... details) Jesus Christ is the one calling those who will be worshipers of God in spirit and in truth... to be the light of this world... singing to God about God´s wonders, God´s beauty, God´s power, God´s love for all created things, about God´s justice and peace, about God´s miracles and healings...

 Im so glad and thankful Jesus was born to incarnate this Christ and this Spirit of Love and Light... And that´s me remembering Christ, who called me 26 years ago and I said "yes, I´m in" ... I was not easily convinced, but after hearing God´s own voice speak to me and be fill with The Presence of  God´s Pure Love, I just 
couldn´t  do anything else with my life but to follow wherever this crazy Spirits leads me ... I wish I could feel this intense Love more often, but I guess it keeps me seeking... 
God is amazing beyond all our imagination... and even when we fuck up God´s plans, in the end I trust God´s perfect plan will prevail... 

31 December 2023

O paraíso

 


31.12.2023

O PARAÍSO


Quando perdemos a noção

De que tudo é sagrado,

Deixamos de saber que somos amados

E deixamos lixo por todo o lado...

Uns dizem que é falta de educação,

Mas pode ser apenas uma falha na visão...

Tudo é espírito separado,

E nós somos incluídos

Nesse corpo santificado,

Não conformado

Com sistemas de humanos formatados...

O corpo de Cristo rejeitado,

Perseguido e torturado,

é de todas as tribos,

Raças, linguas , nações e gerações ,

Como viu João em visões...

Todos os que adoram o seu Criador,

Sem gênero nem idade,

Adoram em espírito e verdade,

Buscando santidade,

Para não ser cúmplice desta insanidade...

Desconexão da terra, da água, do ar

E do fogo que há-de queimar...

Quando é que vamos parar,

De roubar, mentir e matar?

Por uns tostões?

Ainda estamos a viver em ilusões,

Em realidades virtuais

Criadas por mentes doentes

Que se tratam em hospitais...

Mais um negócio para escravizar,

Já nem doentes podemos ficar,

E se espirrar ,

São capazes de me matar,

Ou criam uma vacina para lucrar...

Não sou deste mundo nem quero ser,

Nem quero ter uma televisão para ver

A podridão a que o ser humano

Se está a submeter...

Lembremo-nos do passado

Lembremo-nos do que era a fé antes do papado,

Lembremo-nos que da terra somos filhos,

E para a terra voltaremos,

Lembremo-nos dos xamãs, profetas,

Curandeiros, feiticeiros, 

pintores e pastores,

cantores e poetas...

Lembremo-nos do filho do homem

E do Buda sentado,

Dos eremitas, dos monges e frades,

Bruxas, gurus e madres,

Lembremo-nos da Luz

E de todos que A Luz servem,

Lembremo-nos de olhar para os lírios

E para os pardais,

E aprender com eles

Que somos todos iguais,

Somos todos Naturais,

Orgânicos, biológicos

E o que mais inventais...

Vivemos da terra

Enquanto houver água para regar,

Só são precisas sementes para começar,

Venham as ruderais e pioneiras,

Venham as invasivas companheiras,

Essas, mais as que nutrientes fixam,

Sao logo as primeiras...

Não é de mais conhecimento que precisamos,

Pois com boa intuição não nos enganamos,

Muita fruta, perenes e nozes

Junto com flores e trepadeiras por vezes atrozes...

E é só isto que é preciso

Para alcançarmos o paraíso...

Para quê a religião

Se temos o paraíso na nossa mão,

Na nossa terra e no nosso coração?




21 November 2023

21 novembro 2023

  Vencer o mal

 é não nos subjugarmos a ele.

é resistir á tentação...


o Mal só existe se for praticado por alguém,

alguém que abriu o espírito, que deu permissão 

desprotegido ou não (não sei),

e dar entrada ao mal que acaba por 

alojar a alma (ferida ou doente),


da alma á acção por intermédio

do corpo,

é um instantinho...


A tentação não se parece em nada 

com uma maçã...

nem tão pouco uma serpente...

e não foi no antepassado

mas está sempre aqui bem presente...

é mais do tipo :"-bora lá matar o teu vizinho porque me roubou o brinquedo?"

sugestões tão absurdas como esta...

ou esta:

"-só pode ter sido ele, eu vi como olhou quando me viu com o brinquedo novo

que o meu pai me deu,

que custou mais do que o salário mensal do infeliz do pai dele...dizem que gasta tudo na bebida..."

até parecem conversas de café,

não é?

mas são vindas do mal,

ou como quer que o queiram chamar 

ou pintar...

conversas faladas em nossas mentes,

que até nos fazem sentir mal...


se todos os seres humanos escolherem fazer isso ao mesmo tempo, 

( não se subjugarem ao mal)

o mal não existia para ninguém,

já pensaram nisso?

o acto mais heróico do ser humano,

para além de dar a vida por outro alguém,

não é salvar milhões,

é escolher não fazer o mal

a cada instante da vida...


já imaginaram?

ninguém era ofendido,

éramos todos iluminados

sem mais tentações para resistir...


infelizmente o mal é contagioso,

faz o COVID parecer uma leve constipação...

é altamente contagioso,

passa de uns para os outros,

um está a ofender e um está a ser ofendido,

não é preciso muita matemática...

por isso o perdão é tão importante,

é para vencermos o mal,

e não querermos vingança,

nem mesmo justiça,

ou infelicidade,

ou apontarmos dedos 

e condenarmos outros a viverem em culpa, 

em vez de mostrarmos compaixão 

ou compartilharmos a nossa opinião  ...


não interessa,

"não te tornes um monstro

para derrotares um monstro"

já cantou o Bono,

(agora já nem sei,

espero que esteja a cantar pelos palestinianos também...)


saber perdoar é fodido,

mas se conhecermos o verdadeiro inimigo,

mandavamos foder mas é o ódio,

e o orgulho, e a inveja, ou a cobiça,

a maldade que pode estar em cada um de nós...

quem fica pior no final é quem não perdoar,

fica a remoer e a ruminar,

abre portas para o mal entrar...


é nosso dever perdoar,

e quanto mais rápido melhor,

mas é muito mais fácil escrito do que feito...

é uma simples escolha na mente,

e o coração começa a seguir...

é uma escolha consciente,

e todos temos Consciência,

ou não?

alguns já a perderam...

não há que enganar ou como fugir,

a menos que te queiras enganar

a ti mesmo...


"Pai Nosso,

perdoai as NOSSAS ofensas 

assim como NÓS perdoamos os que NOS ofenderam ( já não já?)

e não NOS deixes cair em tentação,

mas livra-NOS do mal,

livra-NOS do mal,

livra-NOS do mal,

livra-NOS do mal...

Teu é o poder,

a honra e a glória,

a NÓS resta a confissão,

grata pelo Teu perdão...



15 April 2021

lAsT pOsT oN tHis bLoG... nEw bLoG oN tHe wAy...

 Hello, I dont even know who follows this anymore...or who still reads blogs, but I felt I should leave a message here, if for no one else, for myself :-) , to communicate that this blog is officially closed.

I will keep it online for myself as I still go back to read some stories every niw and then :-)

And here is the new l
ink for the new blog I'm starting, " Mente Errante...w@andering mind", which will be written both in english or portuguese, depending where my mind will wander :-) 


Much Love, Joy and Hope to all


HAPPY DAYS

Shantii pilgrim 

15 December 2017

WHo wAs Jesus?...a "pArtY aNiMaL?"


This post is partially humorous, partially based on an honest search... If you didn't like the title of this post you probably shouldn't read it, as it would probably not be of interest for you... I apologise in advance for any possible offence from now on...
There are many stereotypes of Jesus, but in reality we know so little of the historical Jesus... We can read the gospels which were written by a group of Jewishs followers at the time of Jerusalem's destruction by the Romans...at least 30 to 40 years after Jesus died... I imagine that must have been quite a tragic and sensitive time for Yeshua´s followers... The image the older ones might have still kept, and the oral tradition that might have carried most of the stories and parables we read today...it was probably their own construction of what became the experience of God s spirit in their lives, after Jesus' died... a minority group among the many Jews who lived under the oppressive imperial domination system of Rome...

Let's have a look, if you want to amuse yourself, with some stereotypes that survived the ages until now... 

11 December 2017

mAyBe i M bAcK tO bLoGiNg...

I think for the last 4 or five years, I've been trying to get back into bloging, but then I never make the time for it...even now, I'm reluctant to write... I ask myself, why should I write on a blog? I have a journal...the question might be more like "what do I have to share?" Or " what do I want to share?" ... That's what blogs are for,right? It does help me process my own experiences and ideas, but it is about sharing in the end, otherwise I stick to my journal...

I started this blog when I went traveling for 6 months and it was the easiest way to share my experiences with a lot of my friends at the time, instead of writing e.mails to all individually ( this was 2005, before Facebook era)...

06 July 2017

WiLd fiRe iN pEdRogAo gRandE 17-24 June 2017 :-(

This was a post on Facebook...but I want to include it here ...
it´s been 20 days since the 17th of June. the day we started our Natural Building Course at Lisbeth Herz s place in Pedrogao Grande, and the tragic day of the big fire that desolated this country for 7 days. 50.000 hectares of land burned down to ashes, 64 people died, countless animals, houses, and much more...This is still what I have in my mind and why I´ve been avoiding going online.I´m still blocked to what I want to say or share, not sure if I share about the week which was a mix of good moments on the building course together with really sad news from our good friends Liedewij Schieving and Joey.

11 December 2015

How is the Mount of Oaks today ...


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Dear Friends of the Mount of Oaks”,



This letter is from me, Barbara, for those of you who were somehow connected to this place from the early beginnings and for those who are interested in knowing how things are developing so far. We are thankful for your part in the history of this place.



…if you want to go back in time, take a look at these many pictures first... then, find a moment when you have nothing else to do, and read my loooooong letter ...


11 April 2015

a nEw eCoNoMy...a nEw LifEsTyLe... iS tHeRe hOpE ?


"- You can't worship two gods at once. Loving one god, you'll end up hating the other. Adoration of one feeds contempt for the other. You can't worship God and Money both.

03 April 2015

tHe sPiRiT of eAsTeR ...

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This Spirit is not dead, the Spirit that ... “stands for liberation of the human mind from the dominion of religion, the liberation of the human body from the dominion of property, liberation from shackles and restraint of government. That stands for social order based on free grouping of individuals” (Emma Goldman defining Anarchism) ...
Human greedy systems come and go and they all try to destroy and kill this spirit... But the truth of what we celebrate at Easter, is that This Spirit is and will always be alive...