05 April 2026

O significado da Páscoa

 O que geralmente é ensinado, (quando é, já que estas celebrações cristãs não passam de meros cumprimentos sociais e familiares) é que a Páscoa celebra a morte e ressurreição de Cristo que assim garante a "vida eterna" aos que têm fé neste acto de Jesus preparado por Deus.

Outros ainda conhecem um pouco mais do significado e acrescentam que seria a substituição do sacrifício judeus "exigido" por Moisés, lembrando a libertação do Egipto, quando o espírito da Morte passou por cima (passover- Páscoa) de cada casa dos judeus que obedeceram às instruções de pintar a porta com sangue de um cordeiro sem defeito. Assim a morte não levaria o primogénito daquela casa como fez em todas as outras casas egípcias.

É uma história macabra, e provavelmente simbólica pois não há relatos no Egipto de tais factos, e os egípcios não iriam deixar passar uma história destas.

Que Deus seria este digno de ser adorado se isto fosse verdade? Um Deus que exige a morte de uns para libertar outros? Um Deus que mata crianças? Um Deus que deseja a morte do próprio filho segundo acreditam os cristãos? Mas que raio de Deus é esse? Eu diria antes, mas que raio de interpretações são estas atribuídas a Deus? 

Jesus desafia todas estas tradições.

Como já referi no artigo passado sobre a entrada de Jesus em Jerusalém, ele entra no Templo e fica irado, de tal forma que manda as mesas ao chão, liberta os animais e expulsa aqueles que trocam dinheiro para que os fiéis cumpram os seus sacrifícios exigidos pelas autoridades judaicas.

Jesus já tinha referido noutras ocasiões que "Deus deseja misericórdia e não sacrifícios", parafraseando o profeta Isaías, mas as pessoas preferiam obedecer a tradições do que a questionar o que isso quereria dizer.

Também numa das mensagens aos seus seguidores, antes de entrar em Jerusalém, Jesus diz que a vida eterna é conhecer a Deus, não referindo nada sobre a teologia da substituição, como é chamada a crença de muitos cristãos que dizem que "Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo."

Jesus é o cordeiro de Deus, na medida em que, em toda a vida nunca usou de violência ou maldade para derrotar o mal, e por isso lhe foi dada a maior autoridade nas regiões celestiais.

Jesus tirou sim o poder de condenação dado às nossas falhas ( ou pecados se preferirem), principalmente pelos líderes religiosos que usavam isso para controlar e dominar o povo, que precisava obedecer às exigências desses líderes para serem aceitos por Deus.

A ira de Jesus no Templo foi precisamente direcionada aos líderes religiosos, pois para Deus nunca foram precisos sacrifícios alguns. Como Jesus demonstrou tantas vezes, Deus está sempre pronto a perdoar e a apagar todo o passado que não mais nos serve, mesmo dos "piores pecadores" como chamavam os religiosos da altura.

Então, como é que os cristãos vêm a morte de Jesus como sacrifício para remissão de pecados e até para "irmos para o céu" e termos a vida eterna? ( Lembro também que essa obsessão com o "ir para o céu ou para o inferno" é relativamente recente na história da igreja cristã)

Uns até acreditam que Deus exigiu esse sacrifício de Jesus pois, segundo estes, só o sangue puro pode livrar os seres humanos do pecado, da morte e do diabo. No entanto Jesus teve vários confrontos com os líderes religiosos quando ele curava os doentes e dizia que os pecados já estavam perdoados, quando expulsava demónios que atormentavam as pessoas mostrando claramente que o diabo não tinha tido o poder e quando ressuscitou Lázaro mostrando que nem mesmo a morte teria o poder que achavam ter. Tudo isto antes de Jesus morrer como suposto "sacrifício".

Pois... eu também não compreendo, e não consigo aceitar estas teologias que nos são passadas e que ninguém parece questionar.

Deus é Amor. Deus é misericórdia. Como pode ser que Deus "precisa de sangue" e sacrificios? Como é que Deus precisa até de religiões com sacerdotes?

Não era isso que diferenciava o Deus de Abraão de todos os outros Deuses da Mesopotâmia na altura? 

Jesus diz antes da sua morte que a vida eterna é conhecer a Deus, não oferecer sacrifícios. (João 17:3)

Toda a mensagem de Jesus era precisamente contra a religião sacrificial dos líderes judeus que assim dominavam o povo, deixando-o dependente dos seus serviços religiosos desnecessários.

O livro dos actos dos apóstolos e as cartas de Paulo e de outros nunca referem nenhuma celebração da Páscoa se bem me recordo. Referem as celebrações semanais em que se reuniam em casas e partiam o pão e bebiam o vinho, lembrando a forma como Jesus morreu nas mãos do Império Romano e dos líderes religiosos. Mas nem mesmo isto era instituído como um acto religioso dirigido apenas por sacerdotes como foi instituído pelas igrejas até hoje.

Voltando á Páscoa e ao sacrifício de Jesus, seria mesmo necessário?

Será este Deus como tantos outros que precisa de ofertas e sangue para ser apaziguado?

Eu compreendo o ser usado o simbolismo do cordeiro e do sangue derramado para dizer que não são precisos mais sacrifícios para sempre, mas dizer que era esse o plano e propósito de Deus para Jesus é outra história.

Será que os humanos não querem ver que quem matou Jesus foram eles próprios? Os líderes religiosos, os líderes do Império e até o próprio povo que preferia os confortos e seguranças que tanto o Império como a religião ofereciam.

Jesus não tinha que morrer assim para nos "salvar"... "Salvos" são todos os que viram as costas ao Império, às Romas e às Babilónias... "Salvos" são os que não precisam líderes religiosos para lhes dizerem o que agrada a Deus...

E eis o que surpreendeu a todos.

Jesus ressuscitou. 

Ora, se fosse um sacrifício isto não fazia sentido. Um sacrifício oferece-se para nunca mais ter de volta, certo?

Não será a ressurreição uma forma de Deus dizer 'Não' a todo e qualquer sacrifício?

A ressurreição trás outras mensagens... O diabo, que domina os humanos através do medo da morte e da condenação dos nossos pecados, é derrotado pelo "cordeiro de Deus", não o "sacrifício", mas o humilde, submisso e não violento cordeiro. Foi exactamente a não violência que deu autoridade a Jesus para derrotar o mal, o diabo e a morte... Esta é a única é verdadeira revolução que destrói todo o mal e trás a verdadeira Paz.

No evangelho de João 16:8-11, Jesus diz que Deus já julgou o que governa este mundo, o diabo. O julgamento de Deus nunca é dirigido às pessoas, mas aos espíritos malignos que as possam dominar.

Deus vem libertar e não condenar, Deus vem acabar com a dependência de líderes religiosos e de líderes políticos, e principalmente regimes imperialistas e dominadores... 

Para mim, o momento mais poderoso da morte de Jesus foi o rasgar da cortina do "santo dos santos", onde o grande sacerdote entrava uma vez por ano (Yom Kippur) para estar na presença de Deus e pedir a remissão dos pecados de todo o povo.

O rasgar da cortina foi a forma de Deus dizer "Basta... a minha presença está disponível a todos os que me procurarem..."

Deus não precisa de sacerdotes, nem sacrifícios, nem templos para ser adorado, como Jesus disse claramente á mulher samaritana que encontrou no poço.

Nós somos o templo, nós somos os sacerdotes e sacerdotisas, o sacrifício oferecemos nós, de livre vontade, não para agradar a Deus, nem porque Deus exige ou precisa, mas por amarmos e sabermos que o caminho de Deus é o caminho do Amor, da misericórdia e da compaixão.

A mensagem de Cristo na Páscoa é o exemplo que deu, de não resistir a toda a violência e injustiça que sofria com nenhum tipo de violência. Quando Pedro cortou a orelha ao guarda, Jesus condenou esse acto e disse claramente que não era essa a forma de conseguir Justiça. Nunca foi e nunca será.

Eu sei que é mais fácil falar do que seguir estes ensinamentos, por isso Jesus deu o exemplo e não apenas ensinou.

"Many more will have to suffer,

Many more will have to die,

Don't ask me why" (Bob Marley)

A sabedoria de Deus vai muito além da nossa, e esta é a fé de quem se diz seguidor de Jesus... " Deus deseja misericórdia e não sacrifícios. "

Aqueles que fazem guerras para conseguir a "paz" ou a "justiça", não seguem o caminho de Deus, mas sim o caminho do homem que se afasta cada vez mais de Deus.


Entrada de Jesús em Jerusalém

 Como muitas das accões, parábolas e ensinamentos de Jesus, também a entrada em Jerusalém na Páscoa, chamada hoje de “domingo de ramos” entre cristãos, está carregada de significado político.

A maior parte das pessoas hoje acha que o cristianismo é mais uma religião entre muitas e que a mensagem de Jesus é apenas espiritual, mas deixam de lado a parte política a que deveríamos dar mais atenção, na minha opinião.


A entrada de Jesus em Jerusalém na altura da Páscoa dos Judeus é uma dessas acções.

Foi na verdade uma forma bem sábia, como era habitual em Jesus, de confrontar tanto os líderes religiosos judeus e os seus professores da Lei, assim como os líderes políticos que na altura faziam parte do Império mais temido em toda a história, os Romanos.


Para os Judeus, este dia era o início das celebrações do festival mais importante. A Páscoa era cheia de símbolos que lembravam o povo judeu da libertação da escravidão no Egipto  providenciada por Deus através de Moisés, e o início de uma identidade cultural, os judeus, e a adoração e o reconhecimento do seu Deus, Jehová, pelos povos vizinhos. 

O Deus de Justiça, de esperança e de paz para todos os que são oprimidos por impérios tiranos… um Deus diferente dos que eram adorados na altura, um Deus que fala pessoalmente com os humanos, sem necessidade de intermediários, e não precisa de imagens nem Templos para que seja adorado. 

Como sabemos, entre o tempo de Moisés e de Jesus (e de Jesus até aos nossos dias), muito foi sendo distorcido e alterado baseado em relatos e interpretações humanas de textos ditos sagrados.


Jesus entra em Jerusalém de uma forma que trouxe esperança ao povo que já vivia sob a opressão do império Romano. Não sabemos se foi um protesto organizado ou espontâneo, mas o que é certo é que grande parte da população de Jerusalém aderiu à paródia sem mesmo se importar com o que os soldados e autoridades Romanas poderiam pensar..

Eram os conquistadores romanos que faziam as procissões de triunfo mostrando o poder dos seus exércitos, das suas armas e batalhões e montando os seus cavalos de guerra imponentes que deixavam o povo cheio de  medo com a intimidação.

Jesus resolve montar um burrinho, seguido de simples e modestos homens e mulheres da Galileia, pescadores, agricultores, artesãos e donas de casa, e fazer uma ridícula imitação para mostrar que não são precisos grandes exércitos ou poderosas armas para mostrar o verdadeiro poder do mesmo Deus que libertou o povo da escravidão no Egipto… 

A população compreendeu logo a sátira e juntou-se ao teatro… trouxeram folhas de palmeira que era também um símbolo de realeza e de riqueza, pois eram palmeiras que os escravos usavam para que os seus senhores tivessem sombra e ar fresco ao serem abanadas sobre as suas cabeças… Neste caso os ramos não foram usados para fazer sombra ou ar fresco, mas para serem pisados por este homem montado num burro, como se fosse um rei, como sinal de adoração e submissão… Alguns interrogavam-se quem seria esse louco sentado num burro, e diziam que era um profeta de Nazaré na Galileia… a Galileia na altura era a região dos pobres e iletrados, maioritáriamente composta de aldeias agrárias e piscatórias.


As pessoas em Jerusalém entusiasmaram-se pois a Páscoa era a altura em que o povo rezava por libertação,ou salvação do regime opressor que os dominava, assim como tinha sido o Egipto e a Babilónia, e como era agora o Império Romano. Seria este o profeta esperado que iria livrá-los do Império tirano? Os profetas judeus faziam actos que a olhos humanos pareciam loucura, por isso, havia grandes possibilidades e esperança no coração de muitos.


Os judeus esperavam uma revolução política ou uma intervenção divina de poder para livrá-los da tirania Romana que não parecia ter fim, mas este profeta falava de um outro “reinado” e muitos já o intitulavam de “Senhor”, “Rei dos Judeus” ou “Filho de Deus”, títulos atribuídos na altura apenas ao Imperador Romano... 


Jesus falava de um reinado de verdadeira paz, de justiça, de amor e sem violência, em oposição à chamada “pax romana” que era mantida pela tirania e constante vigilância de soldados armados. Chamava-lhe “Evangelium” que quer dizer “boa nova”, também com uma conotação política, em oposição à “boa nova” dos Romanos que era um anúncio de vitória declarada pelos romanos a cada nova povoação conquistada.


Jesus não opunha apenas o império Romano, pois os líderes religiosos também mantinham o povo oprimido e longe de Deus, usando as escrituras sagradas para julgar e exigir dos fiéis o que Deus nunca exigiu, através de teologias que só serviam os que abusavam desse poder religioso. 

Então, logo após a entrada satírica em Jerusalém, as coisas tornaram-se mais sérias quando Jesus se dirige ao Templo Sagrado, que para ele representava a casa de Deus, a quem chamava de Pai, uma casa de oração para todos os povos… judeus e não-judeus, ricos e pobres, homens e mulheres, adultos e crianças…


Jesus chega ao Templo e o que encontra? Um mercado… comércio por todo o lado… uns a trocar dinheiro, pois o Templo tinha a sua própria moeda e era ali que os visitantes de todo o lado vinham para dar as suas ofertas e sacrifícios como mandavam os líderes religiosos… É importante realçar que estas práticas não eram exigidas por Deus, e Jesus fez questão várias vezes de lembrar o profeta Isaías que disse que “Deus não exige sacrifícios, mas misericórdia”... Por isso também havia imensas bancas com todo o tipo de animais, supostamente exigidos por Deus para serem sacrificados para redenção de pecados. Eram estas crenças que Jesus não parava de confrontar nas suas mensagens, mas o povo não queria ouvir. Preferiam seguir os supostos ensinamentos de Moisés e continuar as suas inúteis práticas religiosas, do que ouvir a Deus, que apenas queria um relacionamento pessoal com cada um , oferecendo a Sua imensa misericórdia a quem dela precisasse, sem ser preciso sacrifício algum, nem mesmo um Templo.


Jesus não se conteve e aqui está o único acto que poderá ser considerado “violento” da parte de Jesus. Na minha opinião, um acto humano, como Jesus também o era. Assim como Jesus também chorou no funeral do seu amigo Lázaro, também acredito que, como qualquer ser humano, também tinha emoções para expressar os seus sentimentos, sendo um deles a ira face a injustiças, ou face a ignorâncias como esta que ele presenciava. 

Se lermos bem, Jesus não usou de violência contra ninguém. Jesus virou as mesas dos que trocavam dinheiro, os bancos dos que tinham animais presos em gaiolas, soltando a todos e  libertando também os animais de todas as injustiças humanas com a ajuda de cordas como se fossem chicotes. Estavam ali também pessoas com várias doenças, cegos e paraplégicos, e Jesus curou-os a todos num instante, dizendo que não eram necessários todos estes sacrifícios,muito menos dinheiro para pagar por eles.

Em vez de ter criado admiração e louvor, aquilo enfureceu ainda mais os líderes religiosos e os professores da Lei judaica, pois Jesus confrontou diretamente a falsa autoridade que eles diziam ter diante do resto do povo, passando uma mensagem em que nem os sacrifícios, nem o Templo, nem nenhuma autoridade religiosa eram precisas para Deus atender aos pedidos do povo.


Não é de surpreender que ao fim desta semana Jesus tenha sido preso, torturado, injustamente julgado e acabando por morrer crucificado, não só a comando do Império, mas por todos aqueles que não queriam abdicar nem das suas tradições e do seu suposto poder e autoridade, mas também pelos que não queriam abdicar de toda a ilusão que este mundo oferece e que multidões aceitam sem sequer questionar.


Vivemos em tempos muito semelhantes… vários impérios se querem levantar, apoiando líderes tiranos que se gabam dos seus exércitos e armamentos poderosos… Tantas religiões se vendem ao capital e ao poder para dominarem os seus fiéis e arrecadarem riquezas sem ensinarem nem praticarem a igualdade de classes, de raças, de nacionalidades ou caminhos espirituais. Quantas comunidades espirituais se levantam contra as injustiças humanas e os poderes políticos hoje em dia?

  

Dá vontade de virar as mesas e os bancos e expulsar a todos os que fazem negócios com o que é sagrado… Dá vontade de ir para as ruas como foram milhares de Americanos neste sábado e gritar pelo fim das guerras e seus negócios multimilionários, pelo fim de racismos que não fazem sentido nenhum, pelo fim do uso e abuso de poder contra os que têm falta de papéis para serem considerados humanos, pelo fim do uso de armas, pelo fim de toda a violência, pelo fim de todas as injustiças e falta de igualdade, pelo fim do uso da religião e escrituras sagradas para oprimir, julgar e condenar o que nenhum Deus jamais comunicou.


Estou neste momento em Angola, entre povos que viveram sob a opressão e domínio do Império Português por quase 500 anos, seguido por uma guerra civil que mais não foi que uma luta pelo controlo dos imensos recursos naturais e não pelo bem do povo como achavam os militantes libertadores que deram as vidas por ideais que nunca foram seguidos por quem se encontrou no poder… Ainda hoje, e já desde o fim dessa guerra em Abril de 2002, Angola vive sob um governo tirano, disfarçado de “democrata”, onde não existem eleições que não sejam corrompidas, e onde o povo não pode sequer protestar sem correr o risco de sofrer retaliações gravíssimas, incluindo a morte.

Quantos mais “cristos” serão precisos para confrontar estes regimes, políticos e religiosos, e trazer o verdadeiro Reino de Deus a todas as terras em todas as nações?  E quem irá defender e estar ao lado desses “cristos” ?

Quantos mais ainda vivem cegos e nem conseguem ver as injustiças, o permanente “racismo” entre académicos e iletrados, ricos e pobres, senhores e serventes, urbanos e rurais, sedentários e nómadas?


Foi também o povo que implorou a Pilatos para crucificar Jesus, pois também muitos temiam a insegurança que poderia surgir se os romanos fossem incomodados e os líderes religiosos deixassem de fazer o trabalho que cada um deveria fazer. Muitos preferiram a “pax romana” garantida pelo exército em vez da verdadeira Paz de Deus que vai para além desta vida material. Muitos preferiram manter os líderes religiosos que lhes diziam o que fazer do que terem o “trabalho” de buscarem eles mesmos as instruções do próprio Deus que diziam seguir e adorar.  


E o que preferimos nós hoje? Não nos incomodar? Limitarmo-nos a cumprir os nossos deveres religiosos como mandam os nossos líderes? Não protestar, mesmo face a injustiças? Não dizer nada com medo das retaliações ameaçadas?  Deixar andar pois nada vai fazer mudar?

Que raio de cristãos temos hoje? Que raio de líderes religiosos temos hoje? 


O líder da Igreja católica em Israel foi impedido pela polícia Israelita de entrar na Igreja do santo sepulcro para celebrar a missa neste domingo de ramos, e nada é feito ou dito?… Assim como nada é feito face ao contínuo genocídio em Gaza e todas as guerras que afligem este mundo nos tempos em que vivemos.


Precisamos da sabedoria divina e mais acções como as de Jesus a entrar em Jerusalém numa paródia poderosa que abalou um Império como o de Roma e o virar das mesas que evidenciou a hipocrisia e falsidade dos líderes religiosos que afastam cada vez mais as pessoas do Deus Universal de Amor e Paz, em vez de mostrar o caminho de humildade e justiça do Deus que continuamos a crucificar e matar.


Meditemos nestes ensinamentos. Passemos tempo a ouvir, a contemplar, a questionar e a estudar os ensinamentos que nos chegam. Seja qual for a tradição, a religião, o mestre ou guru, o Deus ou Orixá, a montanha, o rio, a cachoeira ou o mar, vamos ouvir o que o Divino tem para falar. Vamos dar espaço ao silêncio para escutar.